quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Feliz quem tem amigos



A amizade é um meio de nos isolarmos da humanidade cultivando algumas pessoas” (Carlos Drummond de Andrade)


Temos o desejo latente de nos isolarmos das pessoas à nossa volta e manter um tempinho, por mais curto que seja, a sós com nossos próprios pensamentos. 

Muitos até chegam ao extremo de se afastar totalmente do contato com a “civilização”, seja porque se decepcionou com alguém ou com muita gente, ou por simplesmente preservar a própria saúde e sanidade evitando colecionar mágoas.

A verdade é que todos nós precisamos de alguém em nossa vida. Pode não ser alguém presente fisicamente, mas que ao menos partilhe de nossos desânimos, de nossas conquistas, das alegrias e até das frustrações. 

Há quem estenda a mão e permaneça ao lado, esperando que você diga alguma coisa. E ainda que não haja palavra exprimível, a companhia já representa muita coisa.

Não é apenas nos momentos ruins que precisamos de alguém para nos ouvir. Queremos partilhar ideias, projetos, compartilhar um pensamento, ou simplesmente comentar o filme da semana passada.

Não importa a situação. Ter amigos é a certeza de que não vamos sorrir ou chorar sozinhos.    



terça-feira, 9 de outubro de 2018

Vale a pena odiar?


É impossível agradar a todas as pessoas ou receber aceitação de todos os que nós conhecemos (e também de quem desconhecemos). O ser humano é estranho até que alguém pare para tentar compreendê-lo. Todos nós somos, em certo ponto, anormais. Mas isso nos dá o direito de odiar quem pensa ou age diferente de nós?

Temos pouco mais de 7,6 bilhões de pessoas em todo o mundo. Nesse universo todo de cabeças pensantes (outras, nem tanto), haverá quem concorde com nossas falas. Outros vão sorrir, ao saber das músicas que gostamos, chegando a cantarolar algumas melodias das mesmas. E é bem possível que alguém ria de nossas piadas, até mesmo as mais sem graça. 

Mas, com toda a certeza, haverá uma enxurrada de gente que não fará nenhuma das coisas acima. Vão achar que somos loucos, por conta das coisas que acreditamos. Vão achar nossa play-list um saco e fazer cara de paisagem ao nos esforçarmos para que gargalhem com nossas piadas mal contadas. Unanimidade é quase impossível quando se há tantas pessoas diferentes de nós em diversos aspectos. 

Logo, vem a questão: pensar do jeito que pensamos ou agir do modo que agimos nos faz superior a quem não procede da mesma forma? Devo ter ojeriza por quem ouve música eletrônica somente porque curto jazz ou polka? Ou então, quem prefere dias na praia deve ser excluído do meu roll de amigos apenas por que prefiro ficar em casa o dia todo lendo ou vendo TV?


Podemos aprender muito sobre as pessoas que são nos diferentes. Podemos até não fazer parte do mesmo “universo” em que vivem. Podemos não fazer as mesmas coisas que elas fazem. Mas podemos muito bem admirar, apreciar e tomar alguma lição daquilo que elas acreditam. Pode ser que, no fim das coisas, o estranho nessa história, o tempo todo, era você mesmo. 



segunda-feira, 3 de setembro de 2018

200 anos de história viram cinzas

Museu Nacional do Rio de Janeiro, no ano de seu bi-centenário, totalmente destruído pelas chamas (foto: Kiko Nogueira – DCM)

Uma perda irreparável e um verdadeiro golpe à história brasileira. É o mínimo que se pode dizer da grande tragédia em torno do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Foram 200 anos de estudos, pesquisas, catalogação de dados e itens, descobertas. Mais de 20 milhões de ítens. Tudo isso virou cinzas em poucas horas sob as chamas. E mostra o quanto a cultura é banalizada no país. 


O que restou do museu. Perda irreparável (foto: Tiago Ribeiro/Estadão)

Faltavam investimentos. Não apenas isso. Faltava um olhar especial para o que de fato é relevante para a formação cultural do país. O Governo Federal abria a “torneira” dos recursos a fim de contemplar projetos discutíveis. Alguns deles, com valores estrambólicos. Mas uma simples manutenção, que poderia muito bem ter evitado que um enorme legado cultural e histórico fosse consumido pelo fogo, isso não foi feito. Infelizmente.


Exposição do Egito Antigo, com itens raros que estão entre as principais perdas do museu (foto: Divulgação/MNRJ)

A tragédia do Museu Nacional, outrora lar da Família Imperial brasileira, é um [péssimo] exemplo de como o nosso país trata a cultura e o patrimônio histórico. Temos outros museus, bibliotecas, prédios históricos, orquestras, grupos vocais, galerias de arte, arquivos e tantas outras coisas que também estão fechadas, abandonadas, destruídas. Mas insistimos em financiar exposições ditas “modernas” que não acrescentam nada com nada ao país.

Me faltam palavras para expressar toda a indignação ante a esse sinistro episódio. Só podemos lamentar e torcer para que ao menos o prédio seja reconstruído e revitalizado. Abaixo, segue um brilhante vídeo do canal Conhecendo Museus, que abordou um pouco do Museu Nacional do Rio. Contenha as lágrimas, se puder. 






[ATUALIZAÇÃO]

O jornalista Bernardo Küster fez uma excelente análise falando sobre a tragédia do museu. Assista: 


segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Retrospectiva de Férias – Parte1: O cemitério de Boa Vista

Cemitério Nossa Senhora da Conceição - Boa Vista (RR)
Um dos jazigos mais antigos do Cemitério N.S. da Conceição, de Boa Vista (RR)

Acabei de voltar de um merecido (porém curto) período de férias. Infelizmente, não pude viajar para canto nenhum. Fiz inúmeros planos desde o ano passado, mas não tive sucesso em nenhum de meus projetos. O jeito foi ficar por aqui mesmo, aproveitar o tempo para ler, dormir, ver alguns filmes e séries e por aí vai. 

Porém, nesse tempo, aproveitei para fazer alguns passeios, digamos, culturais. Aos meus moldes, claro. Um deles foi conhecer o Cemitério Nossa Senhora da Conceição, de Boa Vista (RR), minha cidade natal. Você pode pensar: “Oi? Cemitério? Passeio?!”. Mas já contei aqui sobre o meu fascínio pela chamada Arte Tumular (leia aqui). 

Para resumir bem, vejo que cemitérios são verdadeiros museus, com muita história para contar. E embora o daqui não seja tão antigo e com jazigos e tumbas centenárias como os do São João Batista (de Manaus/AM, o primeiro onde fiz registros fotográficos com essa temática), pude conhecer um pouco sobre a história e algumas personalidades do Estado de Roraima. 

Esperei um dia no mínimo nublado, para que as fotografias adquirissem um tom mais sombrio. Então, a data escolhida foi o dia 27 de julho, uma sexta-feira. Os céus indicavam chuva. Resolvi arriscar, colocando a câmera na mochila e partindo até o bairro São Vicente, onde cemitério está localizado. 

Não havia muito movimento, a não ser de alguns coveiros venezuelanos que estavam trabalhando com limpeza de alguns jazigos a fim de ganharem uns trocados para alimentar suas famílias (devo falar aqui sobre a crise na Venezuela em outra oportunidade). Parecia um dia interessante e propício.

Me deparei com muitas tumbas curiosas. Algumas bem antigas, do início do século 20, que mostravam algumas das famílias pioneiras, responsáveis por povoar e desenvolver este lugar esquecido por muitos anos pela Coroa Portuguesa e pelo Brasil Imperial (quer dizer, ainda é muito esquecido e ignorado pelo governo desse País). 

Cemitério Nossa Senhora da Conceição - Boa Vista (RR)
Pórtico de entrada do mausoléu da família Brasil, uma das pioneiras do Estado de Roraima

Cemitério Nossa Senhora da Conceição - Boa Vista (RR)

Outros jazigos, mais recentes, mostram o carinho de familiares por seus entes queridos. Um deles me chamou a atenção (e não tive coragem de fotografar). De uma menina morta aos 08 anos, cuja tumba mais parece um pequeno local de festas, com muitas cores e fotos dela, toda sorridente. Com certeza, a melhor lembrança que pais, irmãos, tios ou primos preferem ter dela.

A parte mais estranha do passeio (para alguns, eu diria) foi esperar por quase uma hora, embaixo de um jazigo coberto, ao lado de uma sepultura, até que uma chuva torrencial parasse de cair (Em Roraima, o que chamamos de “inverno” é o período compreendido entre abril e meados de agosto, com direito a muita chuva).

Cemitério Nossa Senhora da Conceição - Boa Vista (RR)

Cemitério Nossa Senhora da Conceição - Boa Vista (RR)

Cemitério Nossa Senhora da Conceição - Boa Vista (RR)

Cemitério Nossa Senhora da Conceição - Boa Vista (RR)


Todo esse passeio, além do aspecto histórico, também traz uma reflexão especial sobre a vida. Nos deixa bem claro o quanto somos frágeis. E que nossas posses, conhecimento, conquistas ou quaisquer coisas que sejam usadas para inflar nossos egos não são nada diante da morte. A hora da partida desse mundo é decisiva. Chega sem aviso. 

Por isso, só nos resta aproveitar bem cada molécula de ar concedida por Deus aos nossos pulmões, fazendo a coisa certa, respeitando nossos semelhantes, cumprindo nossos deveres e aproveitando nossos momentos livres para algo produtivo e verdadeiro. Pois tudo o que fizermos ficará para trás. Somente restará a lembrança, ainda que por pouco tempo, na mente de alguns...  

Cemitério Nossa Senhora da Conceição - Boa Vista (RR)


quarta-feira, 15 de agosto de 2018

sexta-feira, 25 de maio de 2018

As pessoas são bem mais do que pensamos. Ou do que queremos delas...

Tratamos as pessoas da mesma forma como fazemos com as canecas! 

A dificuldades que muitos têm em manter firme um relacionamento pode ser explicado de várias maneiras. Mas uma, em especial, considero de extrema valia. Não quero me colocar na condição de terapeuta, psicólogo ou alguém da área da mente. No entanto, pelas muitas observações feitas ao longo da vida e, claro, através de minha própria experiência, posso dizer: as pessoas, na maioria das vezes, nos são como meros objetos.

Para isso, posso fazer uma analogia até simplória, mas que traduz muito. As pessoas são como canecas. Pense comigo. Elas ficam à nossa mesa, na estante ou no armário da cozinha. Muitas são bonitas, trazem um design interessante. As escolhemos por algo que nelas nos atraiu. Um desenho, uma frase legal. Ou somente por pura necessidade. O que acontece é que, após utilizarmos, elas ficam ali, no canto delas. Até que a gente precise delas novamente. 

Você pode estar indagando “Claro, a função delas é essa mesmo!”. O problema é que fazemos exatamente com as pessoas à nossa volta. O rapaz se aproxima da moça bonita não para ter uma boa conversa, para firmar uma amizade, para entende-la ou oferece-la um ombro amigo quando ela sentir-se frágil e abalado por algo. Pelo contrário. Ele a busca apenas para ter algo a mais. O que ela sente ou deixa de sentir, não importa. 

Da mesma forma, uma menina se aproxima de outra apenas porque esta é financeiramente mais estável, conhece boas pessoas, ou porque simplesmente pode parcelar boas compras com seu crédito. Logo, uma vê que a outra é apenas um trampolim para sua ascensão social ou financeira. Sei lá, tô confabulando! Quando cada um atinge seu objetivo, as demais pessoas não são mais necessárias. São deixadas de lado até que voltemos a precisar delas. Igual fazemos com a caneca.  
  
Nossas mães têm uma expressão que traduz bem isso. Olhamos apenas para o nosso próprio umbigo. Os sentimentos alheios pouco importam. Suas dores, dificuldades, decepções. Nada! Quando se tratam dos nossos problemas queremos ser ouvidos, mas nunca retribuímos a gentileza. É aí que precisamos nos atentar. 

Não custa nada conversar com alguém, descobrir o que ela tem de valor de forma que não gere interesse algum. Apenas vislumbre suas qualidades, sua forma de pensar, o modo como fala, sorri ou gesticula. Entenda seus pensamentos, sua visão de mundo. Bate com o seu? Ok. Não bate? Siga em frente na conversa. As pessoas são bem mais do que pensamos ou imaginamos. Mais do que queremos delas... 





terça-feira, 6 de março de 2018

Nada será como antes...


Cada elemento de nossa vida tem sua importância. Pessoas, lugares, coisas que lemos ou vemos na TV. Faz parte da nossa trajetória lidar com o todo. E muito desse viver toma uma proporção gigante em termos de carga emocional. Vivemos coisas marcantes e inesquecíveis, que seguirão para sempre em nossa memória. 

Podemos até tentar reviver uma experiência antiga, reavivar emoções intensas de outrora, tudo em nome da nostalgia. É legal, divertido e um alimento à alma. Mas, a parte ruim da história é que ela segue em frente e, nem sempre tudo à nossa volta acompanha a trajetória. Muita coisa fica para trás, desconexa, dividida em vários pedaços que ficam espalhados.

Os lugares mudam. Ganham novas cores ou têm sua estrutura modificada, seguindo a decisão de alguém influente. As músicas, antes grandes sucessos, deixam de ser tocadas e deixam de fazer sentido ao serem tocadas novamente. Aquele grupo de amigos do colegial já se dissipou. Cada um seguiu seu próprio destino, tomando rumos totalmente diverso. Muitos até se mudam de cidade, estado ou país. Outros, infelizmente, têm a vida interrompida e logo são esquecidos.

Por isso, ressalto… cada momento de nossa vida deve ser aproveitado ao máximo, a companhia das pessoas à nossa volta deve ser valorizada ao máximo. Os lugares que amamos frequentar devem ser visitados com total dedicação e afeto. Pois talvez amanhã tudo mude, deixando para trás apenas uma pilha de coisas desbotadas, sem vida… apenas um pequeno indício do que a vida já foi. 

Mas a vida precisa seguir em frente...